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Boletim Informativo da ANPAP Salvador nº 02
março de 2009


Prezados anpapianos,

Estivemos nos meses de Janeiro e Fevereiro cuidando dos registros em cartório relativos à transferência da sede da Diretoria da ANPAP para a Universidade Federal da Bahia, e, em paralelo, organizando o 18º Encontro em Salvador.

Com essa perspectiva, apresentamos o Edital para o referido Encontro, damos alguns avisos e continuamos a mostrar um pouco da cultura do Nordeste através do olhar dos nossos pesquisadores, apresentando, neste Boletim número 02, um recorte da pesquisa sobre Pencas de balangandãs da Mestra pelo PPGAV, Simone Trindade, nossa parceira na revisão destes Boletins, que  apresentará também o Museu Carlos Costa Pinto, para você já inserir no seu roteiro de visita durante a sua vinda a Salvador em setembro próximo.

Clique aqui para ler o Edital 2009.


Chamada para trabalhos 2009

Encaminhamos com este Boletim o Edital de chamada de trabalhos para o 18º Encontro Nacional da nossa Associação, observando que este se encontra disponível e pode ser permanentemente acessado pelo nosso site www.anpap.org.br.


Recebimento dos trabalhos

Como já foi notificado no Boletim 01, lembramos que objetivando organizar melhor o próximo Encontro, abrimos uma conta específica para falar com a Diretoria e recebimento dos trabalhos: contato@anpap.org.br.


Recursos para o Encontro Nacional

Observamos que já encaminhamos os projetos à FAPESB (10/02/09) e à CAPES (12/03/09) e estamos aguardando a abertura do edital para o CNPq.






Pencas de balangandãs
pela mestra do PPGAV/EBA/UFBA, Simone Trindade


O Museu Carlos Costa Pinto possui 27 pencas de balangandãs em prata, o maior conjunto existente em museus. Esses exemplares encantam e intrigam o público visitante por seu exotismo e singularidade. Sua composição revela a existência de diversos elementos místicos.

As pencas de balangandãs foram usadas por algumas mulheres negras e mulatas na cintura, em ocasiões festivas, na Bahia do século XVIII às primeiras décadas do século XX. Esses adereços, insígnias de distinção, possuem três partes: corrente, nave ou galera e elementos pendentes. A corrente serve para fixar o adorno à usuária, perpassando-lhe a cintura. A nave ou galera agrupa os elementos pendentes, amuletos (elementos de proteção) e talismãs (elementos propiciatórios) definidores de cada penca de balangandãs. Sua reunião torna cada exemplar único, visto que é fruto de escolhas pessoais. Os elementos mais freqüentes na coleção Museu Carlos Costa Pinto são a figa, o coco de água, a chave, a moeda, o cilindro, a romã, o cacho de uvas, o peixe e o dente. Todos esses elementos, de caráter mágico, remetem a uma postura diante da vida, referenciada por um conjunto de crenças que lhe conferem sentido.

Além da expressão de status social e/ou da condição de liberta ou livre das suas usuárias, as pencas de balangandãs parecem ter sido um distintivo de uso restrito. O seu discurso, pautado em signos ligados à magia, remete a diferentes e antigas tradições incorporadas em seu trajeto histórico e chegadas ao Brasil via África e Portugal. Cada penca de balangandãs conta essa história.


Vitrine de balangandãs do Museu Carlos Costa Pinto
Vitrine de balangandãs do Museu Carlos Costa Pinto.


Uma crioula da Bahia
Uma crioula da Bahia. J. Melo editor. Fotografia (cartão postal), 1904-1915.


Penca de balangandãs em prata com 24 elementos e corrente.
Penca de balangandãs em prata com 24 elementos e corrente. Bahia, séc. XIX.


Penca de balangandãs desmontada. Bahia, séc.XIX.
Penca de balangandãs desmontada. Bahia, séc. XIX.



E um pouco mais sobre o acervo e a localização do MCCP

O Museu Carlos Costa Pinto está situado no tradicional bairro da Vitória, em Salvador – Bahia. Fruto de amor e dedicação, o museu é a concretização do sonho do casal Costa Pinto. Seu acervo de artes decorativas foi reunido por mais de 25 anos pelo colecionador Carlos Costa Pinto e doado por sua viúva Margarida de Carvalho Costa Pinto.

Inaugurado em 5 de novembro de 1969, o Museu propicia um inesquecível retrato da Bahia Colonial e Imperial. O seu acervo, exposto tematicamente, é constituído por mais de 3.000 significativos objetos de artes decorativas dos séculos XVII ao XX.

O Museu Carlos Costa Pinto funciona de segunda-feira a sábado, das 14:30h às 19:00h, exceto terça-feira, quando fecha ao público para manutenção e trabalhos técnicos. O Museu mantém permanente interação com a comunidade, desenvolvendo contínua programação cultural. O seu Serviço Educativo atende a estudantes, grupos de terceira idade e pessoas com necessidades especiais, mediante visita previamente agendada. A Biblioteca do Museu disponibiliza o seu acervo bibliográfico, especializado em artes decorativas.


Museu Carlos Costa Pinto.
Museu Carlos Costa Pinto



Simone Trindade Vicente da Silva é licenciada em História pela Universidade Católica do Salvador – UCSAL. Bacharel em Museologia pela Universidade Federal da Bahia-UFBA. Mestre em Artes Visuais pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Belas Artes-UFBA, com a dissertação “Referencialidade e Representação: um resgate do modo de construção de sentido nas pencas de balangandãs a partir da coleção Museu Carlos Costa Pinto”, orientada pelo Prof. Dr. Cid Ávila Macedo e co-orientada pela Profa. Dra. Maria Helena Ochi Flexor. Museóloga da Fundação Museu Carlos Costa Pinto desde 1991, assumindo a Coordenação de Museologia em 1998. Sócia da Tecnomuseu Consultoria Ltda, empresa especializada em museologia. Professora da disciplina História da Arte na Faculdade de Tecnologia e Ciências de Salvador – FTC-EAD.

E-mails: simonetrindade@gmail.com / tecnomuseu@uol.com.br